sexta-feira, 15 de maio de 2015

Dois Sintomas e uma só Doença

Degradação ambiental e sonambulismo social são dois sintomas distintos de uma mesma doença, a que chamo descaso com a vida.
A nada surpreendente falta de água em São Paulo exemplifica bem este caso. Por óbvio, a degradação ambiental figura entre as causas principais, mas menos óbvio, porém, não menos evidente, o sonambulismo social figura pelo menos como agravante do grave problema.
O fato é que ninguém pode dizer que estava inconsciente desta ameaça, e, agora, que já não há água suficiente, o que o governo responde?
Fazem-se obras para captar e transportar mais águas, mas quase nada para acudir a escassez em suas causas.
Como o povo reage? Reclama de tudo, do sofrimento, do governo, da vida, mas nem se educa para um consumo consciente nem tampouco mexe uma palha para que os gestores da coisa pública se sintam pressionados a empreender políticas de proteção aos meio ambiente.
O povo quer água, e os políticos, votos, poder. Mas a realidade é que não haverá água para todos. A pergunta é: mais tarde, usar o voto ou a participação popular ainda será atitude efetiva para enfrentar a calamidade?
A questão, porém, não se reduz a água: respiramos muito mal, usamos alimentos contaminados, sofremos com barulho excessivo, e até nossos medicamentos escondem às vezes perigos inesperados.
Não é caso nem para alarmismo nem para conformismo, o que tento instigar hoje no pensamento dos amigos é: sem comprometer-se, sem participar ativamente das questões da vida coletiva, não haverá segurança para nenhum de nós, menos ainda para nossos descendentes.
Comprometimento, atitude, prática... é disto que se trata!

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Força em Tempos de Desesperança

Há poucas pessoas que discordariam do afirmação: vivemos em uma época desesperançosa.
No entanto, hoje, quero fazer a seguinte reflexão: é justamente em épocas de grandes desilusões que devemos manter acesa a chama da esperança por dias melhores. Senão, vejamos: é depois de uma grande seca que o Cerrado mais belamente reage às primeiras chuvas para florescer abundantemente.
Identifico-me muito com uma cosmologia do otimismo, não daquela ingenuidade de deixar de ver as dificuldades de nosso tempo como elas são, mas de saber que a vida prosseguirá após nossa passagem nesta dimensão do Universo e, a cada um de nós, toca uma pequena parcela de responsabilidade na preparação de condições para um mundo melhor.