sábado, 11 de agosto de 2012

Amor Próprio - Princípio da Dignidade
 
O mundo está repleto de pessoas que perderam, de alguma forma, parte da (ou até mesmo toda a) dignidade. E todas estas pessoas passaram ou passam por pelo menos um de três processos: espoliação, penhor ou renúncia. A espoliação tem causas mais externas que internas, é uma coerção violenta. O penhor é a troca de um valor ou princípio por uma vantagem ou coisa assim. E a renúncia é a fuga de campo antes que o juiz dê o apito final. Cada um destes processos leva ou pressupõe uma natureza de sofrimentos bem específica, mas o mais degradante de todos eles é sem dúvidas a renúncia.
Na espoliação, interesses sociais ou econômicos poderosos impõe, pela força física ou econômica ou mesmo "moral", situações degradantes a grupos de pessoas que têm bem pouca possibilidade de resistir. Encontram-se neste grupo, dentre outras categorias de oprimidos, as vítimas da violência doméstica (em maior parte mulheres pobres e crianças), os analfabetos, os pobres em geral, os trabalhadores (em sua maioria da iniciativa privada e, cada vez mais, os empregados pelo Estado). É uma categoria histórica de opressão que nada tem de novidade, começou no mundo imperial e chegou hoje ao mundo da democracia quase sem alteração. O que mais ele rouba do ser humano não é nem tanto sua dignidade, é seu modo de acesso ao bem estar, ao progresso e à paz verdadeira.
Ao contrário, no penhor, o que ocorre é uma "venda da alma ao diabo', aos moldes de Fausto: em troca de um osso, a cadelinha aceita sentar-se, deitar-se, rolar e fazer au au... O que mais se perde em termos de dignidade neste caso é o amor próprio, respeito a si mesmo e, perdendo isto, de ninguém mais o penhorador pode esperar respeito, é a decretação definitiva da falência, não de sua vida material, mas de sua própria alma. Quem se perde neste horrenda ofensa à mais básica moral inicia-se num processo de degradação que há de gerar espetáculos de repúdio, como os que hoje em dia estamos todo dia tendo notícias (pela imprensa tradicional ou pelos meios de comunicação alternativa que se esforçam por furar os filtros dos "donos da informação" mundial).
Já a renúncia é o terceiro vértice deste triângulo sinistro, vértice este igualmente distante da espoliação e do penhor. É contraponto da espoliação porque, nesta, a dignidade é literalmente arrancada, com a violência semelhante à dos Cruzados que arrancavam o coração dos prisioneiros de Guerra Santa antes mesmo de matá-los, enquanto que naquela, o prisioneiro mesmo toma do punhal, arranca seu coração, entrega-o em bandeja de prata e ainda se ajoelha diante do guerreiro maldito para venerá-lo... ainda bem que hoje em dia "não existe" nada de parecido com isto no mundo em que vivemos...
Por tudo isto (ai como é chata esta estrutura clássica de textos em que a gente usa o último parágrafo para retomar os outros e fazer um fecho...), podemos entender facilmente que a vida cotidiana hoje em dia exige de nós uma atitude firme para sermos dignos, pois se é verdade que em muitas coisas todos seremos espoliados sem ter muito como reagir, em outras a espoliação se aproxima muito da renúncia, e não é raro que seja difícil decidier se uma vivência de situação indigna é fruto do penhor ou da espoliação (ou será que eu quis dizer renúncia? chi... detestei tanto esta tarefa de concluir este texto que acabei me perdendo no raciocínio...).

quinta-feira, 3 de maio de 2012

ESTUDAR, VERBO LIBERTADOR

Estudar não é uma opção de vida para os pobres, é a única capaz de libertá-los.
A lenda do empreendedorismo é uma bobagem, conto da carochinha para tirar da cabeça dos filhos de pobres a oportunidade de uma vida melhor profissional no futuro. De cada um milhão de filhos de pobres que se metem a empreendedores, um ou dois são bem sucedidos, e todo filho de pobre que se obstina em estudar acaba mais cedo ou mais tarde ascendendo socialmente.
Essa história de que só estuda quem tem recursos é mais um produto da ideologia que uma realidade. Outro dia, o vigiador-lavador de carros (que cuida do meu em uma rua onde estaciono perto do trabalho) estava fuçando em uma lixeira quando cheguei, perguntei a ele o que fazia, mas nem foi necessária sua resposta, ele estava catando livros que alguém jogou fora. E nos dias seguintes o vi várias vezes folheando estes livros debaixo da sombra, no correr do dia, enquanto outros tantos jogavam dama...
Conheci um garoto que aprendeu a parte teórica de técnico em eletrônica ao ler manuais velhos que ganhou de um técnico antigo. Este técnico, amigo meu, conta que deu-lhe os manuais e achou que era fogo de palha, que o moleque nem os leria, mas que se surpreendeu, meses depois, quando o jovenzinho veio lhe fazer perguntas. Então, resolveu admiti-lo como ajudante e, em dois anos, o rapaz já era "meio-oficial" em reparos de aparelhos.
Os casos se multiplicariam ao inumerável se fôssemos relatar e, em todos, o moral da história é sempre o mesmo: estudar, verbo libertador.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Fico admirado em ver que tanta gente ainda duvida da eficácia da acunpuntura e de outras formas de tratamento que receberam a pecha de alternativos.
Mas mais admirado ainda fico quando recebo um novo paciente em consultório e, sem qualquer novidade, constato que um dos motivos pelos quais procurou "tardiamente" por psicoterapia é porque já está dependente de neurolépticos ou outros psicotrópicos -e dizem que não vicia...
Por que as pessoas não costumam duvidar da eficácia destes neurotóxicos legais?
É momento de uma profunda reflexão sobre nosso modo de lidar com a vida, suas dores, dificuldades, problemas...

quinta-feira, 22 de março de 2012

O PREÇO DA CARREIRA

A carreira profissional nunca pode valer mais que a família. Sem harmonia numa família que nos sirva de esteio da vida, as lutas profissionais se perdem num vazio comparável a um carro depenado. A diferença é que quem depena nosso carro são os marginais, enquanto que quem depena a família é o profissional "uôrcarrólic".

Um sucesso profissional nunca pode valer mais que nossa saúde física e emocional. É cada dia maior o contingente dos que arruinam a própria saúde para "subirem" na vida. Isto é tão tolo quanto o comportamento de quem cospe no prato que comeu, tão destruidora quanto a conduta de quem bebe e vai dirigir, tão maluca quanto a insânia de quem derruba árvores para construir prédios.

O dinheiro nunca pode ser mais importante que a paz, o sucesso nunca pode pesar mais na balança dos valores que o companheirismo, e a fama nunca pode ser mais importante que a sabedoria. Sem esta revisão de valores para a vida no Século XXI, estaremos mais perdidos do que ratos rumo às ratoeiras, menos protegidos que cervos fugindo de onças famintas.

sexta-feira, 2 de março de 2012

PENSAMENTO, AÇÃO E DESTINO

PENSAMENTO, AÇÃO E DESTINO

Nunca delegue a educação de seus filhos. De todos os maiores desventurados do mundo, os mais desesperados são os que descobrem tardiamente que os "pais de aluguel" de seus rebentos não foram fiéis às funções que receberam -indevidamente- dos legítimos pais.
 
Faça o/a companheiro(a) de sua vida se sentir bonito(a) e amado(a), é preciso bem menos do que você pensa para isto. Se você não o fizer, certamente alguém fará isto no teu lugar e, nesta matéria, o mundo está cheio de gente super competente para suprir as tuas faltas.
 
Leia mais livros de papel, assista menos TV e grude-se menos no computador ou vídeogame, leia com melhor qualidade e procure mudar sua vida através da leitura. Por mais que a mídia insista que as tecnologias revolucionam a educação, o livro (de papel mesmo!) sempre será seu melhor amigo, pois é com ele que você vai se desligar temporariamente do mundo (inclusive da máquina virtual) para se conectar com o mundo imaginário que os autores criam para nos estimularem no processo de recriação da vida.
 
Entenda de uma vez que as maiores vitórias de uma vida são interiores. Um campeão pode bater recordes e permanecer chumbado ao preconceito, um candidato eleito pode ser empossado e permanecer uma marionete dos poderosos, um concursado pode tomar posse e permanecer desempossado de sua própria vontade, um aluno pode aprender novas lições e adquirir novos conhecimentos mas permanecer ainda assim despossuído de um senso crítico mínimo perante as propagandas mascaradas de saber científico.
 
Supere a idéia de emprego para a vida toda e embarque no movimento de empregabilidade para a vida toda. Os últimos acontecimentos históricos nos mostraram que a pósmodernidade tem o dom de rapidamente destruir carreiras, fundir cargos, revolucionar o mercado de trabalho e convulsionar a vida (mesmo a mais estável) econômica das pessoas e países de um dia para o outro, mas se tem algo que nenhuma força história ainda foi capaz de anular foi a força da competência ou o poder do conhecimento dinâmico.
 
Cuide da saúde do seu corpo mais do que cuida de sua carreira, mas se sua saúde biológica vier a ser perturbada nunca se esqueça de que além dos tratamentos medicamentosos e cirúrgicos, existe também a inconteste cooperação da "higiene mental", que nunca deixou um só doente na mão, nunca decepcionou um só paciente e jamais deixou de surpreender os próprios médicos que cuidam de pacientes com doenças graves. Não é seu corpo que abriga temporariamente sua alma, é sua alma quem governa temporariamente este "punhado" de energias que o materialismo chama ingenuamente de corpo físico.
 
Em resumo, o pensamento vai projetar a situação em que viveremos daqui um pouco, as ações que executarmos a partir do pensamento vão consolidar os projetos da mente, e o destino assim se converte em um mero espelho do que começou lá no pensamento.