Estudar não é uma opção de vida para os pobres, é a única capaz de libertá-los.
A lenda do empreendedorismo é uma bobagem, conto da carochinha para tirar da cabeça dos filhos de pobres a oportunidade de uma vida melhor profissional no futuro. De cada um milhão de filhos de pobres que se metem a empreendedores, um ou dois são bem sucedidos, e todo filho de pobre que se obstina em estudar acaba mais cedo ou mais tarde ascendendo socialmente.
Essa história de que só estuda quem tem recursos é mais um produto da ideologia que uma realidade. Outro dia, o vigiador-lavador de carros (que cuida do meu em uma rua onde estaciono perto do trabalho) estava fuçando em uma lixeira quando cheguei, perguntei a ele o que fazia, mas nem foi necessária sua resposta, ele estava catando livros que alguém jogou fora. E nos dias seguintes o vi várias vezes folheando estes livros debaixo da sombra, no correr do dia, enquanto outros tantos jogavam dama...
Conheci um garoto que aprendeu a parte teórica de técnico em eletrônica ao ler manuais velhos que ganhou de um técnico antigo. Este técnico, amigo meu, conta que deu-lhe os manuais e achou que era fogo de palha, que o moleque nem os leria, mas que se surpreendeu, meses depois, quando o jovenzinho veio lhe fazer perguntas. Então, resolveu admiti-lo como ajudante e, em dois anos, o rapaz já era "meio-oficial" em reparos de aparelhos.
Os casos se multiplicariam ao inumerável se fôssemos relatar e, em todos, o moral da história é sempre o mesmo: estudar, verbo libertador.
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