Hoje, presenciei o arrependimento de um colega que, mais uma vez, entrou em um debate com um outro que é "fundamentalista". O próprio "infeliz" foi quem me falou de seu arrependimento de ter iniciado o debate e pediu-me: por favor, quando eu fizer isto de novo, chute minha canela.
É claro que ele me falou isto de forma figurada e não quer que eu literalmente lhe chute a canela. A questão é outra: um diálogo pressupõe disponibilidade mútua de ouvir, empatia mútua. E obviamente isto não existe quando lidamos com pessoas de mente fechada, opiniões e visões muito rígidas.
É triste, pois a rigidez empobrece muita gente e torna o ambiente impróprio para diálogos e debates produtivos.
Isto dá o que pensar e nos leva a questionar a nós mesmos se também não temos lá nosso nível de rigidez que precisa ser flexibilizado em alguns campos de nossas vidas: valores familiares, valores políticos, valores religiosos, valores profissionais... valores que, em algum momento da evolução social, podem ter ficado atrasados e necessitem revisão e aprimoramento para também não nos tornarmos pessoas impermeáveis a novas ideias ou ao aprimoramento de ideias antigas. E mais que isto, se mesmo sendo firmes em determinados valores, pelo menos conseguimos ouvir os outros com calma e dar-lhes pelo menos os créditos necessários para que suas ideias sejam acolhidas, entendidas e consideradas.
Eis um valor que nos diferenciaria muito de multidões hoje em dia se o cultivássemos com firmeza de ânimo.
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