sexta-feira, 13 de maio de 2011

ILUSÕES DE UMA ÉPOCA

Há 155 anos nascia Sigmund Freud, um filho do Século XIX portanto. E uma de suas frase mais famosas foi dizer que "o eu não é senhor em sua própria casa".
Ainda no Século XIX nasceu um homem que compreendia isto e, ainda hoje, a humanidade não compreende.
Vemos todos os dias pessoas dizerem coisas que demonstram sua ignorância neste assunto:
"Por que será que eu não consigo manter meu propósito de ser assim ou assado e acabo traindo a mim mesmo?" -frases como esta são ditas todos os dias pelos populares que, muitas vezes, sentem-se aliviados por não terem que manter propósitos ambivalentes para eles mesmos.
"Como pode um monstro fazer algo assim tão pavoroso contra uma criancinha?" -adoram perguntar os jornalistas sensacionalistas que estão, no fundo, ávidos pela chegada do dia em que se candidatarão a deputado ou vereador, fazendo campanha como o defensor do povão.
E muitos exemplos de desencontros entre discurso e prática, valores e ações, ética e negócios, amor e poder se amontoam no dia-a-dia, mostrando-nos uma fenda estrutural em nossa própria consciência: ainda não estamos prontos para entender que não somos seres nada unos, somos muito mais "máquinas" guiadas por conveniências.
Mas não precisa ser assim, parece-me que o desenrolar da história humana, com a ascenção das discussões sobre os valores urgentes (ecologismo por exemplo), da renovação da ética (o avultamento do princípio da lealdade acima de tudo) e a crítica à alienação produzida massivamente pelos meios de comunicação, especialmente a TV aberta, são indicadores de que nossa consciência social está amadurecendo para chegar ao dia em que as pessoas poderão se conhecer melhor e, por consequência, conhecer melhor os outros, possilitando uma convivência social mais pautada em fundamentos realmente possíveis de se tornarem universais, consolidadores do modo de vida do terceiro milênio.

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